24 de out de 2009

Meu Casarão
















MEU CASARÃO

Era um bonito casarão de esquina,
com duas frentes, e um alto porão,
que o elevava bem acima da calçada
conferindo-lhe imponência,
status de mansão.

Na entrada principal, a escadaria
em mármore, levava a um mezanino,
em cuja balaustrada eu costumava
me debruçar e ficando a devanear,
me imaginando, qual linda princesa,
a subir os degraus, de braço dado
com meu amor, meu príncipe... em verdade,
apenas meu primeiro namorado.

Eu lá passei a minha adolescência
- o meu primeiro amor, primeiros versos;
o meu primeiro baile, tantos sonhos,
tanta saudade boa, tanta vida!
- Partes de mim que ainda lá estão,
talvez perdidas, no meio de estranhos,
ou no silêncio das noites vazias,
perambulando pelas peças frias,
- fantasmas tristes de um tempo que foi...

Ai, como dói saber (e dói demais!) -
meu casarão, onde fui tão feliz,
onde sonhei os meus mais belos sonhos,
onde espargi sorrisos, plantei esperanças,
colhi alegrias e escondi lembranças,
hoje é apenas um conglomerado
de escritórios e salas comerciais...

(Eloah Borda -D.A.Reservados)

2 comentários:

M@ria disse...

Lindo Blog...........Parabéns

BOM FDS......Beijos!

ju rigoni disse...

Oi, Eloah!

Esse belo poema, que me levou lááá atrás, lembrou-me, dentre tantas saudades, certa ocasião em que levei minha filha, ainda menina, a Petrópolis e resolvi mostrar a ela o colégio onde eu havia estudado, o Instituto Carlos A. Werneck, que funcionava num prédio antigo da Av. 15 de Novembro. Foi um susto! Descobri que meu colégio só existia em minhas lembranças... Em seu lugar haviam construído um shopping center...

Desci a serra chorando, frustrada, confusa, com a sensação estranha de não poder dar à minha filha uma localização tangível para as inúmeras histórias da minha juventude que vez em quando lhe contava. Era como se, a qualquer momento, minhas memórias pudessem ser igualmente demolidas...

Bjs, querida, e inté!